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Comparação do crescimento e do desgaste do casco em bovinos taurinos e zebuínos


Comparação do crescimento e do desgaste do casco em bovinos taurinos e zebuínos   
 
 
 
A inspeção do estojo córneo pode fornecer importantes informações a respeito do manejo nutricional e histórico clínico recente de um bovino (GREENOUGH & WEAVER, 1997). Enfermidades metabólicas, tais como acidose láctica ruminal, laminites e carências extremas de certos nutrientes, podem promover alterações na qualidade e no crescimento dos cascos, através de modificações temporárias do tecido primordial germinativo deste tegumento, na lâmina coriônica e no "stratum basale" do perióplio, na coroa do casco. A presença de tecido córneo de má qualidade constitui um fator predisponente para o desenvolvimento de outros processos infecciosos ou degenerativos futuros, que gerarão claudicação nos bovinos acometidos. A freqüência de problemas locomotores é mais alta em bovinos mantidos em sistemas de criação confinados e semiconfinados que em sistemas extensivos (MGASSA et al. 1988; RIBEIRO et al. 1992).

Bovinos criados em confinamento que conseguem manter um balanço adequado entre crescimento e desgaste do estojo córneo são menos sujeitos a problemas de cascos, tais como úlcera de sola, doença da linha branca e pododermatite séptica (MANSON & LEAVER 1988).

Numa revisão sobre crescimento e desgaste dos cascos, VERMUNT & GREENOUGH (1995) afirmaram que não existe influência racial sobre essas variáveis. Por outro lado, MURPHY & HANNAN (1986) compararam garrotes das raças Holandesa e Hereford, detectando maiores crescimento e desgaste na primeira raça. Contudo, deve-se ressaltar que os estudos supracitados sobre esse assunto foram realizados apenas em bovinos de raças européias (taurinos). Até o momento, não foram encontrados quaisquer outras avaliações comparativas, na literatura, entre raças zebuínas e taurinas, sendo essa uma lacuna a ser preenchida. Nessa mesma revisão, VERMUNT & GREENOUGH (1995) destacaram as marcantes influências anatômicas, fisiológicas, estacionais, nutricionais, ambientais e de manejo sobre o crescimento e desgaste dos cascos dos bovinos.

Em sistemas de criação intensiva de bovinos, em especial de raças leiteiras, o corte de casco preventivo é salutar e necessário para diminuir a freqüência de problemas locomotores, assim como o descarte de animais por esses motivos (GREENOUGH & WEAVER, 1997). Um único trabalho estudou a influência da apara de casco sobre o crescimento e o desgaste dos mesmos, concluindo que essa manobra estimula o crescimento córneo ocorrendo o inverso com o desgaste (MANSON & LEAVER 1988). Mesmo assim, maiores estudos são necessários para comprovar estas constatações. O mesmo aplica-se à taxa de crescimento e de desgaste entre os cascos dos membros anteriores e posteriores, havendo autores, CLARK & RAKES (1982) e TRANTER & MORRIS (1992), que não constataram diferenças, enquanto que HAHN et al. (1986) encontraram maiores crescimento e desgaste nos cascos dos membros posteriores.

O objetivo do presente trabalho é estudar, comparativamente, a influência racial e de apara corretiva do estojo córneo sobre a taxa de crescimento e de desgaste dos cascos de garrotes das raças Jersey e Gir criados em condições intensivas.



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